quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Quanto tempo de despotismo é necessário para que um esquerdista reconheça uma ditadura de esquerda?

Eu gostaria de saber o que fez Helio Bicudo mudar de ideia quanto ao PT, que abandonou em 2005, e, por conseguinte, a mudar de ideia também em relação a Cuba, que, segundo ele “hoje é uma ditadura”.

Esse “hoje” começou quando? Por acaso em 1980, quando ele ajudou a fundar o PT, e quando Castro comemorava 21 anos no poder, Cuba ainda não era uma ditadura? Se já era, por a que apoiava, junto com o partido? Quanto tempo de despotismo é necessário para que um esquerdista reconheça uma ditadura de esquerda? Trinta anos? Quarenta?

Amigo de Lula naturalizado em tempo recorde trabalhava no governo ilegalmente. Só no Brasil de Lula.

O espanhol José Lopez Feijoo, amigo de Lula, furou a fila e obteve nacionalidade brasileira no prazo recorde de duas semanas, passando à frente de processos tramitando até há seis anos. Foram sete instâncias, percorridas a jato, da Polícia Federal em São Paulo ao gabinete do ministro da Justiça, em Brasília.

Antes, foi nomeado ilegalmente assessor especial da Secretaria Geral da Presidência, em ato de Antonio Palocci (Casa Civil), quando recebeu R$ 7 mil em diárias no Conselho da Secretaria de Desenvolvimento Social da Presidência da República, entre 2009 e 2011 – ano em que deixou de ser imigrante da Galícia. Pela Constituição, ele não poderia ocupar cargo público, por ser estrangeiro, nem tampouco embolsar diárias. O Portal da Transparência mostra que Feijoo embolsou R$ 5,6 mil em diárias de viagens entre SP-Brasília e Brasília-Rondônia, em 2010.

A Secretaria-Geral diz que a nomeação de Feijoo foi “cancelada” e refeita após a naturalização, mas não mostrou atos que o comprovem.

Lula queria Feijoo, ex-CUT, na diretoria do BNDES e depois o colocou na lista de “ministeriáveis” do Trabalho, para substituir Carlos Lupi. É mole?

Presidente (agora ex) da Casa da Moeda tem firma em paraíso fiscal. Só no Brasil de Lula.

Não? Pois foi o que Lula fez em 2008, por indicação do PTB, o partido “dono do cargo”. Só que Luiz Felipe Denucci foi exonerado no sábado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, por suspeitas de receber propina de fornecedores da Casa da Moeda, por meio de duas empresas, uma em seu nome e outra no nome da filha, no exterior. Essas empresas abertas em paraísos fiscais teriam movimentado US$ 25 milhões.

Cá para nós, só um irresponsável como Lula poderia aceitar a ideia de nomear uma raposa indicada por Roberto Jefferson para tomar conta do galinheiro, e só um zero à esquerda como Dilma para demorar um ano para demiti-lo.

Acidentes de percurso

E tinha uma porta no meio do caminho...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O xixi que acende lâmpadas

Achei interessante esse artigo da Gláucia Chaves que fala do aproveitamento de quase tudo para gerar energia.

A corrida por novas formas de energia segue a todo vapor. Segundo o relatório feito pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), apresentado em Cannes (França) durante a reunião do G-20, em novembro, a implantação de matrizes limpas em todo o mundo tem progredido rapidamente. De 2005 a 2010, o uso de energia eólica cresceu 27% ao ano, enquanto a solar aumentou 56%. Contudo, o planeta ainda é extremamente dependente do petróleo e do carvão: o primeiro movimenta 94% do setor de transportes mundial e o segundo é a solução para metade da demanda por eletricidade. Na busca por diminuir a dependência da humanidade por combustíveis fósseis – altamente poluentes, pesquisadores de diversas partes do mundo, inclusive do Brasil, desenvolvem inusitados estudos em que lixo, esterco e até urina se transformam em fonte energética.

Uma dessas pesquisas foi desenvolvida na Universidade de Brasília (UnB), onde descobriu-se que a chamada cama de frango é uma interessante fonte de energia. A estrutura – forro constituído por gravetos e cascas de arroz – é utilizada pelos produtores de aves para proteger os pés dos animais. Depois de usada, porém, praticamente perde sua função. Antes, era dada como alimento para o gado, mas, como penas e dejetos também entram na composição, representava um risco para os animais. “Algumas pessoas usavam esse resíduo como adubo, mas isso também pode gerar problemas no campo se o frango tiver alguma doença”, diz Carlos Alberto Veras, professor de engenharia mecânica na universidade e um dos envolvidos no estudo.

Para resolver a questão, a equipe da UnB decidiu queimar tudo. Usando o processo de gaseificação (método em que o material é aquecido a temperaturas superiores a 1000ºC), notou-se que o gás gerado pela queima da cama de frango é uma poderosa fonte de energia. Ainda que não tenha capacidade de geração para todo o país, a técnica é uma opção real para produtores e fazendeiros. “Fizemos alguns cálculos preliminares e, com o nosso sistema, é possível que eles não precisem mais pagar eletricidade”, diz Veras. As cinzas que resultam da queima também têm utilidade. “Elas podem ser usadas como fertilizantes, porque têm potássio e alto valor de mercado”, completa.

Também buscando novas formas de utilizar resíduos aparentemente sem função, o professor do Departamento de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Antônio Mangrich produziu células de combustíveis microbianas (MFC, na sigla em inglês) a partir de lixo e resíduos pouco nobres. Essas células, amplamente pesquisadas no mundo, são espécies de baterias experimentais que usam micro-organismos para produzir energia por meio da oxidação. Nelas, bactérias quebram as moléculas orgânicas e geram eletricidade. Com isso, essas estruturas permitem que os mais variados elementos, como a água de esgoto, sejam explorados na nova corrida energética. “Montamos células com esterco suíno, rejeito altamente poluidor nas granjas de produção de porcos, e medimos o potencial elétrico”, explica Mangrich.

Segundo ele, os resultados não poderiam ser melhores. “Foi obtido potencial comparável a uma pilha AA comum”, compara. Ele conta que a voltagem máxima produzida foi de 1,589 volt, sendo que a média ficou em torno de 1,5 volt. As células duraram por 90 dias e foram capazes de manter pequenos dispositivos elétricos em funcionamento.

Pesquisas como a da UnB e da UFPR, além de abrir frentes que no futuro signifiquem uma dependência menor dos combustíveis fósseis, ajudam a resolver o grave problema do excesso de lixo. A questão é preocupante também no Brasil. De acordo com o Panorama dos resíduos sólidos, relatório feito pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2010 foram produzidas 60,8 milhões de toneladas de lixo no Brasil. Por dia, foram 195 mil toneladas.

Abundante No quesito criatividade, o cientista Ioannis Ieropoulos, da Universidade do Oeste da Inglaterra, merece menção. Também usando a tecnologia das MFCs, ele investiga uma maneira de aproveitar a urina como fonte de combustível para os micro-organismos produzirem energia elétrica. Ele explica que o xixi é rico em compostos orgânicos, o que o faz um componente ideal para que os micróbios no interior das MFC’s realizem o processo de obtenção de energia. “Usamos urina não tratada coletada de um dos colegas da equipe em diferentes horas do dia”, detalha. “Descobrimos que a eletricidade pode ser diretamente produzida por meio das reações metabólicas dentro da célula combustível microbiana.”

A proposta é promissora quando se pensa na abundância de matéria-prima. Com 7 bilhões de habitantes na Terra produzindo cerca de 2,5l de urina por dia, são 17,5 bilhões de litros para serem transformados em eletricidade. Ieropoulos esclarece, no entanto, que pode demorar até que o líquido tenha alguma utilidade prática. A estimativa, segundo o cientista, é de que a execução da tecnologia só seja viável daqui a 10 ou 15 anos.

Outro cientista envolvido nesse tipo de pesquisa é Richard James, engenheiro de materiais da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. Seu foco está no uso do calor residual, produzido pelo funcionamento de máquinas. Sua equipe criou uma nova liga de metais multiferroicos (que combinam propriedades elásticas, magnéticas e elétricas), que, em altas temperatura, fica fortemente magnetizado e absorve calor de forma espontânea, produzindo eletricidade.

Segundo James, a descoberta representa um importante avanço ambiental. Em veículos elétricos, por exemplo, a tecnologia pode ser usada para capturar o calor residual da fumaça do carro e produzir eletricidade suficiente para recarregar a bateria. O calor perdido em instalações industriais e até mesmo a diferença de temperatura de regiões diferentes do oceano também são, de acordo com o cientista, meios ecológicos de se obter energia. “Livrar-se do calor em computadores também é um problema tecnológico significativo. Queremos construir nosso sistema em forma de pequenos filmes para serem colocados dentro dos computadores e gerar eletricidade para recarregar a bateria”, adianta.

Coisa de babaca

O escritor Fernando Morais, que disse no Fórum Social de Porto Alegre que não mexeria “um palito” para ajudar a blogueira cubana Yoani Sánchez a visitar o Brasil porque ela é “contra a revolução”, evita criticar o governo Dilma pela concessão de visto de turista para a oposicionista do regime dos irmãos Castro: “Não entro nessas considerações”, disse o babaca.

Ora, o sujeito tem todo o direito de ter sua opinião política, o seu ideal, por mais estapafúrdio que seja, mas daí a negar que qualquer outra pessoa os tenha diferentes dos seus e, pior, negar que essa pessoa tenha os mesmos direitos que qualquer um, é coisa de babaca. E Fernando é um babaca.

Palhaçada: Sacolinha plástica agora é vendida nos caixas dos mercados. Comprada pode, dada não.

Que palhaçada!

Fui a um supermercado onde não havia nada para se carregar as compras. Embora fosse pouca coisa, não dava para levar nas mãos. Perguntei como fazer e caixa me ofereceu a opção de compra entre uma pregada de bolsas “ecológicas”, que recusei por serem caras, e – pasmem – um rolinho das famigeradas sacolas plásticas que antes eram de graça.

Mais uma vez o povo é feito de trouxa por esses canalhas que legislam de acordo com seus bolsos. Não duvido nada que por trás dessa lei babaca tenha havido um lobby dos supermercados, pobrezinhos, coitados, alegando prejuízo com a gratuidade.

Tautologia

Em uma crítica sobre um livro de Allen Ginsberg, o crítico afirma a mãe dele, Naomi, era militante comunista e mentalmente perturbada, tanto que chegou a passar por uma lobotomia.

É impressionante a falta de preparo desses jornalistas de hoje. Será que eles não sabem que tautologia é um vício de linguagem que consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido, como “subir pra cima”, “todos foram unânimes”, “militante comunista mentalmente perturbada”...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Pela primeira vez na vida, Garotinho tem meu apoio

Trecho do artigo de Ricardo Noblat de ontem, no Globo:

A deputada Clarissa Garotinho (PR) pediu à Assembleia Legislativa do Rio que levantasse todas as informações pertinentes às viagens de Cabral. Queria saber quantas vezes ele viajou desde que se elegeu governador; na companhia de quem; se em voo comercial ou particular; e os custos de cada viagem.

O pedido da deputada foi recusado por Paulo Melo (PMDB), presidente da Assembléia e aliado de Cabral, sob o pretexto de que o assunto é da órbita federal. Então o deputado Garotinho fez pedido idêntico à Câmara dos Deputados. Rose de Freitas (PMDB-ES), vice-presidente, recusou o pedido. Decretou que o assunto é da órbita estadual.

Pedalando em Paris
Não é. Na verdade, quem pode dispor das informações requisitadas por Garotinho filha e pai é a Polícia Federal e a Secretaria de Aviação Civil da presidência da República. À Secretaria se vinculam a Agência Nacional de Aviação Civil e a Infraero, que administra os 66 aeroportos brasileiros.

Garotinho recorreu da decisão de Rose à direção da Câmara, mas perdeu. Apelou à Justiça. Seu apelo, hoje, repousa empoeirado à sombra de alguma toga.

Pela primeira vez na vida sou obrigado a apoiar as iniciativas do clã dos Garotinho, mas é pena que Cabral tenha as costas quentes em tantos órgãos públicos. Desmascarar esse sujeito de vez é condição de sobrevivência do Estado do Rio.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Lupi ainda manda no PDT. Que vergonha...

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, se reunirá nesta segunda com diretório do partido em Brasília. O objetivo: validar a indicação de seu braço direito, André Figueiredo, para ministro do Trabalho.

Fala sério! O cara que é defenestrado do cargo de ministro por ser um larápio ainda ter cacife para ser presidente de um partido e tentar emplacar um protegido é muito abuso! Será que o PDT não tem gente decente capaz de derrubar esse calhorda da presidência?

Se não tiver é melhor fechar para balanço. Não é Miro Teixeira?

O Rio de Janeiro que se dane. Governadores incapazes é sina ou é o eleitor fluminense que vota mal?

Enquanto prédios desabam, bueiros explodem, bondes saem dos trilhos, barcas enguiçam, a dengue avança e as vítimas das chuvas que perderam suas casas há mais de um ano na Serra continuam ao Deus dará, o Govenador do Estado do Rio de Janeiro continua morando em Paris – eventualmente visitando o estado para inaugurar alguma obra inacabada com Dilma – sem dar solução para nenhum desses problemas e nem sequer mostrar preocupação com eles.

No episódio do desabamento dos prédios no Rio, Cabral, recém-chegado da Cidade-Luz, se limitou a lamentar, só que um dia depois, sem aparecer. Dizem que por medo de ser vaiado.

Aliás, essa preferência por Paris foi motivo de piada até de Dilma, em uma dessas inaugurações de coisa nenhuma em Angra, quando Cabral disse que “não há cidade no mundo como o Rio, onde, em meia hora, você sai do trabalho e está de bermuda na praia” e Dilma respondeu: “O Rio e Paris, né?”. Fosse a “presidenta” uma pessoa séria, em vez de piada teria lhe dado uma senhora chamada.

Sergio Cabral é um caso perdido. Sempre foi, mas graças à sua habilidade em manipular sacos importantes, consegue se manter sempre em evidência. Escândalos não faltam em sua vida, só que, estranhamente, nunca são noticiados como deveriam, como um dos mais recentes, a queda do helicóptero que revelou suas ligações suspeitas com o empresário Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, a empreiteira que mais recebeu recursos do PAC. Parece que o caso foi esquecido.

Na primeira eleição direta para governador do Estado do Rio de Janeiro após a fusão com a antiga Guanabara, em 1982, o povo elegeu Leonel Brizola. De lá para cá passaram-se 30 anos e só teve porcaria. Vejam a lista:

Leonel Brizola (duas vezes), Moreira Franco, Marcello Alencar, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho e Sérgio Cabral Filho (duas vezes).

Agora respondam: Qual lugar do mundo passaria incólume por essa plêiade de incompetentes? Qual lugar do mundo teria um eleitorado tão ignorante e indiferente à política que fosse capaz de eleger essas seis indecências em oito votações seguidas? Qual o lugar do mundo em que um governante que abandona criminosamente seu governados não vai para a cadeia? Qual, senão o Brasil, mais especificamente, o Rio de Janeiro?

sábado, 28 de janeiro de 2012

Está todo mundo no Forum Social, menos a Yoani, que está em Cuba (e vai ficar por lá).

Pelo que Antonio Patriota, ministro das Relações Exteriores, deu a entender ontem em Davos, a situação dos direitos humanos em Cuba não é importante e nem preocupa. Segundo ele, “existem situações muito mais preocupantes, inclusive Guantánamo” e, por isso, Dilma não vai nem tocar no assunto.

É. Guantánamo preocupa tanto que nem a ditadura castrista quer saber dos 116 quilômetros quadrados ocupados pela base naval americana, mas a morte de presos cubanos não é importante, afinal, como disse Lula, eles morreram porque quiseram. Quem mandou não comer?

Cancer News

Lula e Gianecchini

Lula e Lugo

Tenha a santa paciência! Levar fotógrafo a tiracolo para fazer tratamento de câncer e ainda se aproveitar da imagem de outros doentes para posar de mártir extrapola o ridículo e o mau gosto.

Cronologia petralha pré-poder

Uma rápida cronologia petralha postada no Observador Político mostra o que fez o PT antes de assumir o poder.

1985 – O PT é CONTRA a eleição de Tancredo Neves e EXPULSA os deputados que votaram nele.
1988 – O PT vota CONTRA a Nova Constituição.
1989 – O PT DEFENDE O NÃO PAGAMENTO da dívida brasileira, o que transformaria o Brasil num CALOTEIRO MUNDIAL.
1993 – Presidente Itamar Franco convoca todos os partidos para um governo de coalizão pelo bem do país. O PT foi CONTRA e não participou.
1994 – O PT vota CONTRA O PLANO REAL e diz que a medida é eleitoreira.
1996 – O PT vota CONTRA a REELEIÇÃO. Hoje, defende.
1998 – O PT vota CONTRA a PRIVATIZAÇÃO DA TELEFONIA, medida que hoje nos permite ter acesso a internet e a mais de 170 MILHÕES DE LINHAS TELEFÔNICAS.
1999 – O PT vota CONTRA a adoção do CÂMBIO FLUTUANTE.
1999 – O PT vota CONTRA a ADOÇÃO das METAS DE INFLAÇÃO.
2000 – O PT luta FEROZMENTE CONTRA a criação da LEI DA RESPONSABILIDADE FISCAL, que obriga os governantes a gastarem apenas o que arrecadam.
2001 – O PT vota CONTRA a criação dos PROGRAMAS SOCIAIS no governo FERNANDO HENRIQUE CARDOSO: Bolsa Escola, Vale Alimentação, Vale Gás, PETI e outras bolsas são classificadas como ESMOLAS ELEITOREIRAS e insuficientes.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Marco Aurélio Top-Top Garcia diz que Yoani não pode trabalhar no Brasil. E o assassino Battisti, pode por quê?

O aspone Marco Aurélio Top-Top Garcia, figura execrável sob todos os aspectos, disse ontem no Fórum Social que Yoani Sanchez não poderá manter seu blog com críticas ao regime castrista caso peça asilo ao Brasil. “O exilado político não pode ter atividade política no país que o recebe”, disse o aspone.

No entanto, o assassino Cesare Battisti está lá no Fórum Social como convidado para vender seu livro “Ao pé do muro”, com passagem e estadia pagas pelo Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, sendo recebido com pompa e circunstância por outra figurinha difícil, o ex-ministro da Justiça que concedeu-lhe asilo e hoje governador, Tarso Genro.

E não me venham dizer que o livro não é político porque ele fala dos anos que passou preso no Brasil e, além disso, a sua simples presença no Fórum Social, babaquice eminentemente política, já é uma constatação da atividade.

Aliás, por que será que Dilma preferiu o Fórum a Davos? Insegurança por não saber o que dizer frente a tantos outros dirigentes, ou foi só para ver Battisti?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Marta e o Papa

Como Sampa fez 458 anos ontem, eu me lembrei de uma piada do tempo em que Marta Suplicy era prefeita da cidade.

Em uma viagem ao Vaticano, Marta estava na sala de espera do palácio, aguardando ser recebida pelo Papa. Louca para fazer xixi, ela olhava para um lado e outro à procura de um banheiro e nada. Nem viv’alma para informá-la aonde havia um.

Nisso, uma porta se abre e mandam-na entrar no imenso gabinete papal. Ela entra, percorre dezenas de metros até chegar ao Papa e, após as mesuras de praxe, Marta, já não se aguentando, resolve perguntar:

- Sua Santidade, eu estou apertadíssima, preciso ir ao toalete. Sua Santidade poderia me dizer onde fica?

E o Papa:

- Olha, minha filha, este palácio é muito antigo e o banheiro mais próximo fica na outra ala. É xixi que a senhora quer fazer?

- É, Sua Santidade – respondeu uma cada vez mais aflita Marta.

- Está vendo aquela estátua de São Pedro ali? – e o Papa apontou para o monumento em mármore – Vá para trás dela e se alivie.

- Mas, Sua Santidade – retrucou Marta –, fazer xixi em São Pedro?!

- Sim, minha filha. Para quem já cagou São Paulo é fácil...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Será que as mutretas de há 20 anos nas Loterias da Caixa ainda são praticadas?

Há mais ou menos 20 anos, em um papo informal, um funcionário da Caixa do setor de Loterias, respondendo à minha pergunta sobre roubos e manipulação de resultados, confidenciou-me, sem dúvidas, que havia um esquema entre os funcionários do setor, que, ao contrário do que se possa imaginar, não era através de sorteios manipulados, que eram – e ainda são – públicos e nem de ganhos nos primeiros prêmios, onde, mesmo com o anonimato garantido, qualquer deslize se transformaria em escândalo.

A coisa funcionava com os prêmios secundários, que não despertavam atenção e, exatamente por isso, eram forjados aos montes, recebidos por várias pessoas, sem levantar suspeitas, e rateados entre todos os participantes da mutreta.

Se o esquema já funcionava há tanto tempo, quando os jogos eram poucos, imaginem o qual será o faturamento hoje – caso a mutreta ainda exista –, com a quantidade de tipos de jogos diários que a Caixa oferece.

P.S.: O meu “informante”, segundo eu soube, morreu há dois anos, rico.

Lula, o Kim Jong-Il tupiniquim

Deu no Radar OnLine:

Não foi só na cerimônia do Planalto que Lula arrancou gritos e fez muita gente chorar nesta tarde, a primeira no palácio desde que deixou a Presidência. Pouco antes do início da solenidade, Lula foi cercado por dezenas de servidores na entrada do gabinete de Dilma Rousseff. O que se seguiu depois foi uma maratona de fotos, apertos de mão e mais choradeira.

A que ponto chega o puxassaquismo...

Petroleiros do Rio de Janeiro pagam viagem para assassino vender livro

Eu quero que me expliquem por que o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro bancou a viagem do assassino Cesare Battisti para que ele vendesse seu livro “Ao pé do muro” no Fórum Social Temático, em Porto Alegre.

Nem a editora Martins Fontes – onde o terrorista diz trabalhar – nem ele coçaram o bolso. Aliás, como trabalhar, se Battisti não tem documentos?

Para completar a palhaçada, Tarso Genro em discurso no próprio Fórum Social Temático, declarou sobre o caso Battisti: “O caso adquiriu certa notoriedade porque houve um massacre midiático. Alguns colunistas falsificaram a realidade de comum acordo com o governo mafioso, corrupto e desmoralizado. O governo italiano tentou humilhar o governo brasileiro”, confundindo, por astúcia ou ignorância, governo Berlusconi com Estado italiano.

Filosofar é preciso

Filósofos do meu Brasil varonil, regozijai-vos: o deputado federal Giovani Cherini (PDT-RS), por falta absoluta do que fazer, resolveu regulamentar a profissão de filósofo e elaborou o Projeto de Lei n.º 2.533, DE 2011, que “Dispõe sobre o Exercício da Profissão de Filósofo e dá outras providências”.

Aliás, providências muito importantes, porque obviamente o burro puxa uma carroça de privilégios, como consta no artigo 3o do PL, que diz que “os órgãos públicos da administração direta ou indireta ou as entidades privadas, quando encarregados da elaboração e execução de planos, estudos, programas e projetos socioeconômicos ao nível global, regional ou setorial, manterão, em caráter permanente, ou enquanto perdurar a referida atividade, Filósofos legalmente habilitados, em seu quadro de pessoal, ou em regime de contrato para prestação de serviços”.

Agora só falta descobrir qual será a função dos filósofos nesses casos.

O pior é que, como disse o filósofo Hélio Schwartsman, como o projeto tramita em caráter conclusivo, se nenhum deputado protestar isso acaba passando.

Ô Brasilzinho...

Enfim o PSDB faz oposição... A si mesmo

A declaração de Fernando Henrique de que Aécio é o candidato natural do partido anda dando pano para mangas dentro do PSDB. Serra subiu nas tamancas e o senador Aloysio Nunes idem, enquanto Sergio Guerra concordou e Aécio – em viagem particular, é óbvio – agradeceu por meio da sua assessoria.

Não sei o alcance que FHC pretendia dar a essa declaração, se ele falou do momento ou se projetou o futuro, mas, na minha opinião, se for hoje, sem dúvida, Aécio é o candidato natural a disputar a Presidência da República pelo PSDB, apesar de não ter feito nada além de se omitir de ser oposição no ano que passou. É que Serra é muito ruim mesmo.

Se o papo for para o futuro, a julgar pelas prévias do comportamento de Aécio, é bom Fernando Henrique reavaliar sua opinião, sair do eixo São Paulo-Minas Gerais e avaliar nomes como Alvaro Dias, por exemplo, que, se não é o candidato ideal por não ser o “queridinho”, é um dos únicos nomes do PSDB que mostra serviço como oposição.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Passarela amazônica

O fundo Amazon Charitable Trust anunciou nos jornais britânicos que vai construir por £ 6,4 milhões uma passarela suspensa de 9km na floresta em Roraima, com mão de obra indígena, para atrair o ecoturismo. Será também “base de pesquisa da Amazônia”.

Vejam o que se propõe a ser o Amazon Charitable Trust, criado em janeiro de 2009:

“Nossa missão é proteger a floresta amazônica. Nossa abordagem de trabalho é incluir as comunidades locais tradicionais e indígenas, apoiar seus projetos para que se tornem auto-suficientes e ao mesmo tempo proteger os recursos naturais ao seu redor. Atualmente nós trabalhamos em parceria com a Cooperativa Xixuaú, uma organização brasileira, no desenvolvimento de modos de vida sustentáveis dentro da região de Xixuaú Xiparina, próxima a linha do Equador. A expansão planejada da área protegida para 1,5 milhões de acres ao longo do rio Jauaperi irá transformá-la em um dos maiores projetos de conservação no norte do Brasil.”

Very charitable indeed, se eu acreditasse em Papai Noel.

Já se apossaram de 6.070,28 Km2, o equivalente a um terço da área de Sergipe sob o pretexto de conservação, mas vai ver o que tem embaixo da terra...

Cooperativa Político-Partidária Petrobras

Em sua lamentável gestão como presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli fez muitas besteiras, mas uma das piores foi promover a sua capitalização, realizada em 2010, para aumentar a participação da União na empresa, ideia de jerico que tinha por trás a finalidade de elevar também a possibilidade de ingerência política em sua gestão.

Ah, sim: os pequenos investidores que se danassem, como se danaram.

Como resultado a Petrobras não ficou ainda mais estatal que antes: ficou mais governista que antes.

O Globo de hoje traz a lista das diretorias mais importantes da empresa e seus respectivos atuais diretores. Não há um que não seja indicação política. Fulano é apoiado pela ala nacionalista do PT, Sicrano pelo Zé Dirceu – sempre ele –, Beltrano pelo PMDB, e por aí afora.

Ora, ou a bem a Petrobras decide ser realmente uma empresa e varre do mapa gente que só está lá para assegurar o quinhão do seu partido, ou assume de vez ser uma cooperativa político-partidária onde zilhões de reais deixam de ser reinvestidos porque são desviados para as mais diversas causas, que não têm absolutamente nada a ver com a estatal.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Será que Graça Foster vai conseguir estatizar a Petrobras privatizada pelo PT?

“Hoje, cada diretoria é um verdadeiro feudo, cada uma vai para um lado, conforme o partido político que tem apoio. Acredito que com Graça as diretorias vão voltar a trabalhar juntas, mais alinhadas.”
Executivo da Petrobras falando da empresa.

Essa súbita mudança na presidência da Petrobras, trocando um político trapalhão que conseguiu que a estatal tivesse a segunda maior perda de valor de mercado do mundo em 2011, um tombo de US$72,39 bilhões, por Maria das Graças Foster, a Maria Caveirão, além da nítida tentativa Dilma de blindar Gabrielli, que deixa os holofotes para ser para ir ser um simples secretário de estado na Bahia, onde pretende se candidatar ao governo do estado pelo PT daqui a três anos, é sintoma que 2012 vai ser o ano em que vão pipocar todas as mazelas dos sete anos anteriores, já que até o TCU resolveu entrar na dança e vai promover este ano uma varredura nos contratos assinados pela Petrobras e por empresas em que a estatal tenha o controle societário, no Brasil e no exterior. Segundo o Tribunal, a empresa tem desrespeitado regras de contratação - a Petrobras assinou no ano passado contratos que somam R$ 16,3 bilhões sem qualquer tipo de concorrência ou tomada de preços com fornecedores, o que representou quase um terço da contratação de serviços da companhia (R$ 52 bilhões).

Pelo menos ao que parece, Graça é a pessoa certa no lugar certo, já que a Engenheira química com pós-graduação em engenharia nuclear pela UFRJ, é funcionária de carreira, entrou na estatal como estagiária em 1978 e foi uma das primeiras mulheres a trabalhar “embarcada” nas plataformas de petróleo em alto-mar, comandou seu programa de biodiesel, ocupou diversos postos de prestígio na companhia e no setor energético. Esteve à frente da BR Distribuidora e da Petroquisa. Além disso, já esteve na administração federal: foi titular da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia quando Dilma era a titular da pasta. Ali, coordenou o Prominp, programa de qualificação da indústria do petróleo, e o programa de biodiesel do governo.

Seu perfil mostra que é uma pessoa competente, leal a seus superiores, exigente e às vezes pouco afável nas negociações, bem ao estilo e ao agrado de Dilma. Tomara que dê certo e a Petrobras pelo menos se recupere da desastrosa gestão de Gabrielli e seja devidamente estatizada, já que atualmente ela é propriedade privada do PT, para depois, quem sabe algum outro governo que entre tenha peito suficiente para, aí sim, privatizá-la a um preço condizente com o mercado.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A fonte de Nelson

“As mulheres precisam ser espancadas para amar alguém. Há nisto um fundo de verdade. A pancada é sempre mais sincera do que o beijo.”
Albino Forjaz de Sampaio em “Palavras Cínicas”, escrito em 1905, livro que comecei a ler ainda agora, em que, a cada frase, ser canalha é o conselho dado por Forjaz.

Acho que descobri a fonte de inspiração de Nélson Rodrigues.

Vita mortuorum in memoria est posita vivorum.

Há épocas em nossa vida que a gente tem que parar, respirar fundo e sacudir a poeira para poder seguir em frente. Para mim, esta é uma delas. Se eu acreditasse em algum deus, hoje certamente estaria amaldiçoando a sua existência.

Dias atrás, foi-se meu tio Jota, o Rei de Alegria, e ontem foi a vez da sua irmã, minha tia e madrinha Vera, a Rainha, minha eterna amiga e companheira de papos, copos e cantarolagens ao violão, uma das mulheres mais valorosas e corajosas que eu já conheci.

Com ambos, foi-se um pouco da alegria do mundo. Não da minha, porque eles não iam querer que seu sobrinho mais palhaço ficasse triste, mas, para tal, é preciso fôlego, até porque ainda me resta a abominável tortura medieval de comparecer a um velório e a um enterro, coisa que eu ainda estou em dúvida se vou fazer – essas experiências macabras me revoltam.

Enfim, é isso, caros amigos. Em um dia que eu teria tudo para ficar feliz – meu filho número dois foi promovido – fiquei triste. Fazer o quê?...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Suposto estupro no BBB: áudio da declaração da "vítima"

A essas alturas todos já devem saber da suspeita de estupro no Big Brother, fartamente divulgada na Internet. Tanto que o suposto estuprador já foi expulso do programa.

Longe de mim ser um moralista, mas as declarações dessa menina, a suposta vítima, no “confessionário” do BBB, chamada que foi pela direção do programa para se explicar, são de causar vergonha em ator pornô.

Ouçam a degradação:

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Leiam e ouçam “MARLI MEU TRAVESTI”, obra-prima de Amaury Ribeiro Jr., autor de “Privataria Tucana”


Marli meu travesti
(Amaury Ribeiro Jr – letra, música e interpretação)

Foi no banheiro do cine brasil
Que eu te conheci
Trocamos olhares
E a meio outros pares
Marli, meu travesti
Cruzamos as pernas
Grudamos as pintas
Cresceu a sua mão
Fugimos dos guardas
E o pau quebrava
Ao som dos “reis do ieieié”

E hoje vivemos apaixonados
Você é só minha meretriz
Fazemos façanhas, inventamos mil transas
Nos damos sem pudor

Somos românticos, apaixonados
O maior dos casais
Adotamos uns filhos
Deixamos os tiros
Em nome do nosso amor

Trocamos as roupas
Juntamos as bocas
Pra não se separar
Erguemos um teto
E sonhamos com os netos
Pra nos continuar

E quando viajas
O mundodesaba
E começo a lembrar
Que amor simbiótico
Que sonhos eróticos
Marli, não vivo sem ti

Esta maviosa canção consta do disco – CD, álbum, ou seja lá o que for que toque música – “Precoce” de Amaury Ribeiro Jr., ninguém menos que o autor de “Privataria Tucana”, o moderno manual dos petralhas.

E ainda querem dar crédito a um demente dessa estirpe.

Drogados: a culpa agora é nossa e do Estado

“Equívoco é pensar que a droga é que causa a situação de miséria de quem a consome. É exatamente o contrário. O que leva as pessoas para o buraco é a ausência do Estado, que não oferece escola de qualidade, habitação digna nem chance de trabalho. A droga é consequência, não é causa.”
Dartiu Xavier, psiquiatra, especialista em dependência química e pândego nas horas vagas.

Esse tal de Dartiu é um piadista.

Hoje é moda atribuir tudo de ruim ao Estado e à sociedade: é ladrão?, tadinho, é a sociedade perversa que o leva à pobreza e consequentemente ao crime; é viciado?, tadinho, é culpa do Estado que “não oferece escola de qualidade, habitação digna nem chance de trabalho”.

Dartiu nem se dá ao trabalho de raciocinar que pobre que é pobre não tem grana nem pra comprar droga e, se assim mesmo o faz, às vezes trocando um prato de comida dos seus filhos, roubando ou se prostituindo por uma pedra de crack, por um baseado ou por um copo de cachaça, é porque é um sem vergonha mesmo e, se já é um dependente, também é sem vergonha por simplesmente não ter resistido à primeira ou à segunda vez que se drogou.

De mais a mais, isso é um tremendo preconceito contra os pobres. Como se não bastasse a carga que já têm que suportar pela falta de dinheiro e assistência, eles ainda têm que conviver com a pecha atribuída por bucéfalos de serem drogados e ladrões em potencial.

Ora, seu Dartiu vá para a rima rica…

Prefeita de Aalst, Bélgica, faz sexo na torre

Imagens publicadas na internet mostram a prefeita da cidade belga de Aalst, Ilse Uyttersprot, fazendo sexo com o namorado no alto de uma torre.

O episódio, flagrado sem querer por um grupo de jovens, aconteceu há cerca de 4 anos, mas só agora o vídeo foi divulgado. A reportagem é do jornal belga “La Meuse”.

Procurada pela imprensa local, a política disse que não imaginava que estava sendo filmada e ressaltou que a cena polêmica não vai atrapalhar seu mandato como prefeita.

Pretensiosa

Jean Wyllys, ex-BBB e hoje deputado federal graças à carona que pegou nos votos de Chico Alencar, tem se destacado na Câmara pela sua defesa intransigente do direito à viadagem. Ainda outro dia, a bicha, que se diz “homossexual assumido e orgulhoso de minha orientação sexual”, teve chiliques ao saber que Bento XVI declarou que o casamento homossexual “ameaça o futuro da humanidade”. Jean chegou a fazer comparações dessa declaração com o nazismo, porque quer porque quer que todos aceitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Por princípio eu discordo em gênero, número e grau desse sujeitinho asqueroso e por coerência defendo o direito da Igreja de ter esse “preconceito”.

Primeiro que esse negócio de ter orgulho de ser homossexual não passa de uma provocação a quem se bate contra o homossexualismo. Ninguém, em sã consciência, pode ter orgulho sincero da sua orientação sexual, seja ela qual for, a ponto de sair bradando isso aos quatro ventos. Viado que se preza não faz isso – e os há que se prezam, muitos.

Segundo, o Papa representa uma religião de dois mil anos, com princípios que têm que ser respeitados pelos que a professam. Quem não estiver satisfeito, é só pedir seu boné e pular fora. Não vai ser uma bichinha falsamente orgulhosa que vai mudar os dogmas do catolicismo ou de qualquer outra religião.

E terceiro lugar, casamento, em todas as religiões, em todas as leis e em todas as línguas é a “união voluntária de um homem e uma mulher, nas condições sancionadas pelo direito, de modo que se estabeleça uma família legítima”; “cerimônia, civil e/ou religiosa, em que se celebra essa união”; “vínculo conjugal entre um homem e uma mulher” e “qualquer relação comparável à de marido e mulher”. Portanto não existe “casamento” entre dois homens ou duas mulheres e quem disser que há é pecador, marginal ou burro.

É muita pretensão da bichinha falsamente orgulhosa querer mudar as religiões, as leis e as línguas.

Mentiras históricas como argumento

Persio Arida, economista, em uma entrevista à Folha diz, entre outras coisas, que o Brasil foi “último país a ter escravidão”, mentira que todo cretino gosta de citar quando quer explicar certas teorias mirabolantes. Veríssimo é um deles – péssima companhia.

Ainda há oficialmente 30 milhões de escravos no mundo em países como o Sudão e o Níger, a Arábia Saudita só aboliu a escravatura dem 1962 e a Mauritânia em 1881, sendo que na Arábia, até bem pouco tempo – historicamente falando – capturavam os negros, incorporavam as mulheres aos haréns e castrava-se os homens, que passavam a trabalhar como eunucos.

É preciso lembrar também que no Brasil a abolição de deu de modo gradual com a Lei Eusébio de Queirós de 1850 (que proibiu o tráfico interatlântico de escravos), seguida pela Lei do Ventre Livre de 1871 (que considerava livres todos os filhos de escravos nascidos a partir da sua data), a Lei dos Sexagenários de 1885 (garantia liberdade aos escravos com mais de 60 anos) e finalizada pela Lei Áurea em 1888.

Pode-se até considerar que a escravidão já estivesse com seus dias contados em 1888, porque, se há 38 anos não se “importava” mais escravos, se todos os negros com 17 anos ou menos eram livres e se os de mais de 60 também, a extinção se daria de modo natural. Longo, mas natural e talvez mais humano do que simplesmente ter largado os ex-escravos à sua sorte de uma vez só.

Além disso, considerando que o primeiro país do mundo a abolir a escravidão, a Dinamarca, só o fez em 1803, ainda historicamente, 85 anos de diferença não é tanto tempo assim considerando uma prática de milênios.

O sucesso do UFC

A glamurização das brigas de rua em épocas de comunicação global foi inevitável. Levadas ao cinema nos anos 50 por Marlon Brando, James Dean e outros, elas foram americanizadas aqui nos anos 60. Lembro bem dessa época Aqui no Rio em que a garotada tinha que ter uma espécie de salvo-conduto para passar por certas ruas ou bairros onde haviam turmas organizadas. Se fosse da turma rival, entrava na porrada. Todo mundo na rua – TV incipiente e internet inexistente –, os hormônios da juventude tinham que inventar emoções e a pancadaria era uma delas.

Certas brigas de rua entre turmas às vezes eram decididas em lutas individuais entre seus “chefes” – sempre os mais fortes, que lutavam melhor – que eram previamente anunciadas e atraíam multidões. Como a polícia na época da ditadura era casca grossa, as lutas foram sendo transferidas para lugares mais escondidos – garagens eram as preferidas – e, posteriormente para os tatames das academias de artes marciais, que proliferavam com tanta porrada comendo solta e, entre elas, a de jiu-jitsu da família Gracie se destacava, até por força dos 30 filhos de Carlos (21) – que trouxe a luta para o Brasil – e de Hélio (9) – que a popularizou com suas lutas contra adversários dezenas de quilos mais pesados –, que, por si, já formavam um exército de pancadaria.

Rorion, o filho mais velho de Helio, resolveu ir para os Estados Unidos na década de 70 para dar aulas de jiu-jitsu e acabou virando instrutor da SWAT e de dublês de cinema, mas a herança do pai – os desafios de lutas – falou mais alto e ele começou a organizar eventos de combates, aproveitando o sucesso que faziam suas aulas no meio artístico. Daí para o primeiro UFC, em 1993, foi um pulo, e essa popularidade de hoje se deve, em parte, ao tratamento de superespetáculo dado pelos americanos, mas também à milenar paixão por que todo homem passa pela luta corporal como forma de mostrar superioridade e descarregar seus hormônios, mesmo que seja através de terceiros e mesmo em épocas, como a de hoje, de direitos humanos exacerbados e da chatura do “politicamente correto”.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Milagres

O crescimento da igreja católica se deu pela força, durante a Inquisição, e o crescimento da protestante se deu pelas mentiras, mas mentiras que hoje servem de abrigo a milhões de desamparados pelo Estado, no caso do Brasil.

Imagine-se um pobre coitado que tem problemas físicos ou psíquicos que dependa do nosso sistema de saúde: quais seriam as suas perspectivas a não ser enfrentar filas que às vezes duram dias para, quando chegar a sua vez, ser extremamente maltratado por um filho da mãe que se diz profissional de saúde – isso, quando o filho da mãe aparece para trabalhar?

Agora, imagine-se o mesmo pobre coitado que tem problemas físicos ou psíquicos que entra em um “templo”, é tratado com o carinho de um “irmão” por quem o recebe e é brindado com estímulos do tipo “você vai ser curado porque tudo é fácil para quem crê em Jesus desde que deixe para ele, no mínimo, 10% do que recebe”: você, desesperado, não podendo mais conviver com seu alcolismo, com as suas dores no pâncreas ou mesmo com hemorróidas à flor da pele, vai se negar a dar o dízimo para ver sua vida entrar nos eixos?

É por aí que essa covardia opera. Milagres não existem, mas depois de uma massagem dessas no seu ego, a consequente recuperação da sua autoestima trabalha a favor dos picaretas que lhe encheram de mesuras e promessas incumpríveis, proporcionando, se não uma cura, uma convivência mais amistosa com seus problemas, o que talvez seja um meio caminho andado para seu restabelecimento.

É cruel? É. É mentira? É. Mas mais cruéis e mentirosos são os políticos que, além de mentir, não lhe dão condição de sequer ter esperança.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Politicômetro

Hoje, por causa de uma dúvida de um comentarista do Observador Político sobre sua posição política – o cara não sabia mais se era de direita ou esquerda – lembrei de um teste que fiz há muito tempo na Veja, o politicômetro.

Claro que não é nada exato, preciso, mas vale como curiosidade, é divertido. Quem quiser vai em veja.abril.com.br/eleicoes/politicometro/ e faz.

Lula, Dirceu e Palocci brindados e blindados pelo governo – com a nossa grana, é claro.

Jorge Serrão
As conversas telefônicas no primeiro escalão de Dilma Rousseff já estão mais seguras e protegidas de escutas indevidas e ilegais. O Governo adquiriu 395 celulares Nokia de última geração, com criptografia para proteger o conteúdo falado. Cada aparelinho, importado da Finlândia, custa em torno de R$ 12 mil reais.

Dos 100 aparelhos que ficaram com o Palácio do Planalto, curiosamente, três foram dados aos mais ilustres membros do “governo paralelo”: o ex-Presidente Lula da Silva, e os super-consultores José Dirceu e Antônio Palocci Filho. É apenas um sinal (telefônico) de que continuam mandando muito nos destinos do País. Livres das escutas, poderão trabalhar com mais desenvoltura.

Trabalhar, não, conspirar. Vagabundo não trabalha, faz mutreta. É muita cara de pau da Dilma dar esses brinquedinhos para três marginais.

Brasil paga os tubos para treinar piloto de Vant, um aeromodelo metido à besta

A formação de piloto de caça F-18 Hornet (EUA) custa US$ 2 milhões, mas o Brasil pagou R$ 1,9 milhão por “piloto” treinado para o Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant), que ainda não decolou para vigiar a Tríplice Fronteira.

O pior é que o treino para pilotar o brinquedinho é só em simuladores. Qualquer garoto hábil em videogames ou aeromodelismo estaria capacitado.

Muito em breve seremos imortais (o melhor é que faz sentido)

Achei muito interessante a entrevista concedida pelo futurólogo inglês Ian Pearson ao jornalista Sílio Boccanera, do programa Milênio, da Globo News e resolvi reproduzi-la aqui.

Imaginar o futuro é um exercício que o ser humano pratica desde que nossos antepassados deixaram as savanas africanas de nossas origens como espécie e saíram em busca de outra vida pela frente. Como seria o tempo futuro, sobretudo para os filhos? Como será o nosso? Especulamos por hábito, mas há que o faça por profissão. Como Ian Pearson, 50 anos, futurólogo de carreira. Não da linha pitonisa, bola de cristal, tarô ou búzios, mas da categoria ciência, engenharia, avanço tecnológico. Formado em Física Teórica e Matemática Aplicada, Pearson pensou o futuro durante 20 anos como tarefa principal de seu trabalho na British Telecom, a empresa de telecomunicações britânica, hoje conhecida como BT. Foi onde previu que telefone celular, recém criado na época, poderia se misturar com e-mail e render SMS ou torpedo. Lá ele viu com antecedência o que iria se tornar o Wii, que saiu na Nintendo, que a BT onde ele trabalhava não foi atrás. Hoje Pearson atua por conta própria em sua base em Ipswich na Inglaterra, onde o Milênio foi encontrá-lo no jardim de casa em dia ensolarado de Outono. Pearson hoje presta consultoria, faz palestras em vários países. Para quem tem interesse em explorar produtos ou serviços no futuro ou apenas alimente curiosidade em saber como será nosso mundo em breve.

Silio Boccanera — No seu livro atual, You Tomorrow, publicado em 2011, você diz que um período razoável para prever progressos das tecnologias é de cerca de 30 anos. Menos que isso é óbvio demais e mais que isso é distante demais?
Ian Pearson — Se pensar hoje em 2040, estamos falando em ligar coisas ao cérebro. Esse tipo de expectativa é baseada em desenvolvimentos científicos recentes que estamos vendo agora. É cedo para fazer tecnologias com base nisso, mas podemos ver o rumo possível dessas tecnologias e como influenciarão nossa vida em 2040. Então, 30 anos é o máximo de um horizonte futuro, antes que se torne ficção científica. Pode-se tentar um bom palpite sobre o futuro daqui a 30 anos, mas não pode dá para sentir além disso.

Silio Boccanera — Uma previsão que você fez em um futuro não tão distante, de 20 anos, é de que computadores serão mais inteligentes que nós. Sabemos que os computadores hoje em dia são rápidos, acumulam muita informação, mas não são mais inteligentes que o cérebro humano. Você diz que serão daqui a 20 anos.
Ian Pearson — Eu acho que sim. Se analisar velocidade de processamento do supercomputador, e já existem um ou dois supercomputadores no mundo, eles têm a mesma capacidade do cérebro humano. Mas o software não é muito bom. Ele não é organizado da mesma forma que o cérebro. Não entendemos o funcionamento do cérebro. Se quisermos imitá-lo, ainda não temos esse conhecimento, mas o conhecimento está gradualmente aumentando. Com o aprimoramento dos computadores, mesmo que sejam algoritmos razoavelmente ineficientes para a consciência ou o pensamento, um computador muito veloz, que tenha uma potência maior, vai poder nos alcançar no sentido geral. Se pensar nos zeros, teremos mais 2 zeros a cada década, em termos de velocidade do computador. Se um PC tem 1/100 da nossa velocidade, em uma década, ele terá a mesma velocidade, mas não a mesma inteligência. Com mais uma década, ele provavelmente terá a mesma inteligência. Então, um PC, daqui a 20 anos, poderá ter a mesma inteligência que nós. É uma perspectiva bastante animadora.

Silio Boccanera — Nesse sentido, daqui a 20 anos, os computadores não apenas serão mais inteligentes, mas poderão tornar nosso cérebro mais inteligente? Ou seja, o computador será mais inteligente, mas nós seremos mais inteligentes porque o computador aumentará nossa capacidade?
Ian Pearson — Acho que daqui a 20 ou 25 anos, quando ligarmos alguns dispositivos de TI ao nosso cérebro para aumentar a velocidade de funcionamento e nos dar sentidos extras, aumentar a nossa capacidade e memória, eles vão aumentar a velocidade do cérebro. Basicamente, aumentaremos a nossa inteligência aprimorando as máquinas. Muito desse conhecimento virá das máquinas. Elas descobrirão como a psicologia funciona, através de experimentos e análise científicas. Parte da Ciência também será feita pelas máquinas, o que vai acelerar o progresso nessa área.

Obs.: TI (Tecnologia da Informação) pode ser definida como o conjunto de todas as atividades e soluções providas por recursos de computação que visam permitir o armazenamento, o acesso e o uso das informações.

Silio Boccanera — Isso nos leva a uma das partes mais polêmicas da sua previsão. Você diz que, dentro desse período razoável, nós nos tornaremos imortais. Você está querendo dizer que não morreremos? Está falando de nós dois, da nossa geração, dos jovens? Como assim, nos tornaremos imortais?
Ian Pearson — Eu quero dizer que, quando o corpo morrer, não será mais um grave problema de carreira. Parte da sua mente já estará no mundo das máquinas.

Silio Boccanera — É uma ótima maneira de descrever “um problema grave de carreira”: a morte.
Ian Pearson — Se 99% da sua mente estiver nos extras das máquinas que você conectou ao cérebro, quando o seu corpo morrer, só perderá 1%. Não será nada demais. Você vai ao seu enterro no sábado e volta ao trabalho segunda de manhã. Você segue como se nada tivesse acontecido.

Silio Boccanera — Através das máquinas.
Ian Pearson — Exatamente. Você compra um corpo de andróide e faz um upload para ele, não precisa carregar sua mente inteira. Sua mente pode viver na nuvem, e você apenas ocupar aquele corpo robótico.

Silio Boccanera — É preciso fazer isso antes de morrer então.
Ian Pearson — Sim, mas é assim que teremos a imortalidade. O que eu não vejo é você conectar o cérebro à máquina e fazer um backup para um upload posterior. Não acho que vai acontecer assim. Aos poucos, dispositivos estarão acessíveis, provavelmente através de tratamentos médicos. Tratar pessoas com mal de Alzheimer ou outras enfermidades mentais poderá ser através do aprimoramento médico, substituindo-se partas falhas do cérebro. Isso vai acabar se tornando cosmético, com as pessoas querendo usar essas tecnologias para melhorar sua capacidade sensorial. A vista fica ruim porque chegou à meia-idade. Você pode colocar olhos melhores ou sistema sensorial melhor para ver em ondas de alcance diferente. Poderemos melhorar a audição, usando frequências melhores. Talvez possamos sentir campos magnéticos, elétricos ou até a radiação, entrando em um mundo com formas diferentes de terrorismo. Talvez detectar radiação seja útil.

Silio Boccanera — Está falando da imortalidade disponível para as pessoas vivas hoje, os jovens. Talvez nós sejamos velhos demais para isso, mas os jovens terão acesso a ela?
Ian Pearson — Quando falo em imortalidade, talvez eu seja da última geração que morrerá, que terá a morte natural. Eu diria que quem, hoje, tem menos de 35 anos tem grandes chances de viver para sempre. As pessoas já vão viver até uns 85 ou 90 anos. 50 anos além, para quem tem 35 hoje, podemos ter certeza de que haverá uma tecnologia economicamente acessível para que façam um aprimoramento cerebral, estendendo sua mente para o ciberespaço. 99% da mente delas estará no mundo das máquinas. Quando chegarmos ao ponto em que só 1% da mente morrerá quando o corpo morrer, teremos a imortalidade eletrônica. Mas, para esclarecer, não é imortalidade de fato. Não significa que viverão eternamente. Significa que, quando o corpo morrer, poderá continuar no mundo das máquinas. Quando essas máquinas forem desligadas, quando ninguém mais pagar pelo servidos, ou quando houver uma guerra nuclear e as pessoas morrerem, as máquinas provavelmente morrerão.

Silio Boccanera — Estarão eletronicamente mortas.
Ian Pearson — Você não será realmente imortal, mas terá uma extensão da vida no mundo eletrônico.

Silio Boccanera — A geração jovem de hoje, como sua filha e a minha, pessoas que enfrentarão esse ambiente de trabalho daqui a 20 ou 30 anos, devem receber algum treinamento ou instrução com essa finalidade. Como você acha que deve ser o treinamento hoje, a instrução hoje, ou o que há de errado com a educação de hoje que não as preparará para isso?
Ian Pearson — A educação de hoje ainda prepara as pessoas para o mundo dos anos 1990, para a economia da informação, em que você deixa a escola com capacidade para resolver uma equação ou reunir informação e processá-la para passar para outra pessoa. Estamos quase no mundo em que as máquinas saberão fazer isso tão bem quanto qualquer pessoa. Para muitas dessas coisas, basta digitar uma pergunta no Google que a resposta chega imediatamente. Nesse tipo de mundo, o valor do conhecimento da informação é bem menor. Qualquer um pode descobrir quem venceu a Batalha de Hastings, não precisa aprender na escola. É bom ser culto e saber essas coisas, mas não é necessário. Logo, o valor disso é bem menor.

Silio Boccanera — O que eles devem aprender então?
Ian Pearson — As habilidades sociais e humanas. Se estiver em um mundo que muda rapidamente com o surgimento de novas tecnologias, uma das habilidades mais necessárias é a adaptabilidade. Não ensinamos crianças a se adaptar, e sim a sobreviver em um mercado estático. Devemos ensiná-las a sobreviver em um mercado que muda todo ano. Como seguir adiante, como decidir deixar algo e passar a outra coisa? Como se adaptar quando tem que se mudar com seus filhos e formar novas redes sociais? Como formar essas redes sociais? Não ensinamos essas habilidades na escola, mas serão elas que tornarão as pessoas felizes quando tiverem que sobreviver nesse tipo de mundo.

Silio Boccanera — Fala-se de tecnologia do futuro. Houve um tempo em que diziam que o futuro seria a TV. Tudo seria obtido pela TV. Depois, passou a ser o computador, seja desktop ou laptop. Agora, todos acham que será o telefone celular. Que rumo você vê? Qual objeto, se é que existe um, será o foco da nossa atividade no futuro?
Ian Pearson — Acho que não é isso que as pessoas querem. Não querem um aparelho móvel para ver TV. Para que carregar o aparelho com você? Eu gostaria de ter isso tudo na minha cabeça. Quero usar óculos leves. Melhor ainda: se tiver lentes de contato, poderia jogar fora os óculos e usá-las para ver um vídeo de imersão em 3-D no meu campo de visão aonde quer que eu vá. Se eu estiver andando pela rua e vir um prédio, terei toda a informação de dentro do prédio. Verei através das paredes o que está à venda, se me interessa, quanto custa, colocar zoom. Posso fazer tudo para aprimorar a realidade enquanto estiver andando pela rua. Posso tirar as pessoas feias do meu campo de visão e colocar pessoas mais bonitas. E podem fazer isso comigo também. Posso ver se a pessoa que está passando é uma possível colaboradora em um projeto, se seria uma boa companhia para a sexta-feira. Todas as pessoas veriam a realidade aprimorada no campo de visão delas também.

Silio Boccanera — Com essas lentes de contato inteligentes, você diz que pode criar uma realidade visual. Como disse, se sua namorada for feia, pode torná-la mais bonita.
Ian Pearson — Linda. Terá o melhor de dois mundos.

Silio Boccanera — Você sai com uma bruxa e a faz parecer uma princesa. Seria possível.
Ian Pearson — Quando você começa a pensar nessa tecnologia, ela afetará quase tudo que fizer no mundo. Há muito tempo, nós comercializamos a força física. Hoje, temos máquinas fortes. Se quiser algo para cavar um buraco rapidamente, é só comprar uma escavadeira mecânica. Agora, nós comercializamos a Inteligência. Todo mundo sabe mexer no Google e obter informações na internet com rapidez. Talvez a beleza seja mais uma dessas coisas que cairão no esquecimento. Se as pessoas nascem bonitas, e daí? Qualquer um pode ter um avatar. Todo mundo pode parecer supermodelo. Todos podem parecer pessoas que passam o dia na academia. Não é mais preciso fazer isso. As pessoas podem ter essa aparência, e a personalidade vai sobressair. Deve poder baixar isso também.

Silio Boccanera — Ótimo potencial de vida sexual para muita gente. Vai apimentá-la.
Ian Pearson — Vai apimentá-la de maneiras que nem devemos imaginar. Se você conecta muitos dispositivos ao cérebro para expandir sua capacidade, porque não fazer isso com o sexo? Todos gostamos de fazer sexo. Por que limitar-se a ser um homem de meia-idade? Por que não seu um robô, um klingon, um romulano? Qualquer espécie que se imagine de filme de ficção.

Silio Boccanera — Não só você, mas seu parceiro também.
Ian Pearson — Claro. Pode inventar novas maneiras de fazer sexo. Pode mapear o que os computadores fazer com sequências de atividade física. Pode misturar isso em um ambiente futuro que envolva algumas pessoas, alguns computadores, alienígenas ou outras espécies. Pode redefinir o sexo dessa maneira. E vão redefinir.

Silio Boccanera — Não precisarão nem entrar na máquina futurista que Woody Allen mostrou no filme, o Orgasmatron, que é baseada na ideia do psicanalista Wilhelm Reich. Não precisa entrar nela. As lentes de contato farão o serviço.
Ian Pearson — Elas vão dar o estímulo visual. Woody Allen mostrou que ele também queria estímulo físico. Se conseguir se ligar os nervos e estimular o orgasmo através de sinais elétricos, ótimo! Vão direto para a área adequada do cérebro. Vai chegar ao ponto em que pensará no orgasmo... Pode enviar por mensagem instantânea. Outro orgasmo! Preciso de um café agora. Um intervalo. Será que fica tedioso? É o cenário de “Barbarella” em um filme de ficção científica, em um mundo no qual basta tomar um comprimido para fazer sexo ou tocar as pontas dos dedos, como Barbarella. Farão sexo assim. Como quer projetar? O que devemos fazer para transar? Quer que continue a lambança que é hoje ou quer algo mais solitário, com apenas um toque ou apertando uma tecla? Como você quer? Poderemos redefini-lo do começo. Pode definir exatamente as sensações que deseja e como pode obtê-las. Talvez o sexo tradicional se torne tedioso, porque é simples demais.

Silio Boccanera — Garantindo a muitas pessoas que, se quiserem a lambança, poderão ter.
Ian Pearson — Acho que devemos ter ao menos essa possibilidade.

Silio Boccanera — Carros também poderão se comunicar na rua, o que vai facilitar a conversa com quem estiver no outro carro, e os próprios carros poderão fazer isso.
Ian Pearson — Vejamos uma área com muito congestionamento, que pode ser em qualquer cidade grande no mundo. Há muito engarrafamento, que é causado pela forma como se dirige. Se os carros se movimentarem a uma velocidade razoável, falando com outro carro que vem pelo cruzamento, um reduz um pouco, o outro acelera, e o movimento será perfeito. Se as pessoas tentarem isso, vão bater, porque não dá para avaliar muito bem. Computadores agem em microssegundo rotineiramente. Faz sentido que o computador dirija um carro a essa distância e consiga guiar em alta velocidade, sem qualquer perigo. Quase não haveria acidentes. Não acabaríamos com engarrafamentos, mas reduziríamos bastante. Aumentaríamos a capacidade das ruas tendo os carros separados por centímetros. Haveria maior quantidade, pois os carros seguiriam um ao lado do outro, se comunicando, com os sistemas de freio e de direção interligados. Coordenando bem, talvez não elimine, mas reduziria muito o congestionamento e a poluição.

Silio Boccanera — Você estava falando das lentes de contato. Pensei aqui que também poderiam ajudar a dormir. Não só a dormir melhor, mas poderiam interferir nos sonhos também?
Ian Pearson — Eu costumava fazer piada com as lentes de contato. Como estão sob as pálpebras, você poderia responder e-mails antes mesmo de acordar. Poderia ir ao escritório pela realidade virtual, mas, com as lentes, nem precisaria abrir os olhos para ir ao escritório virtual. No começo, eu via como piada, como comentário nas conversas do jantar. Mas, quanto mais eu pensava, mais via que seriam úteis. Muitas vezes, acordei no meio de um sonho. Você sonha com algo que está batendo na cabeça. Quando acorda, vê que a janela está entreaberta e batendo com o vento. Você incorpora um barulho do mundo real ao sonho. Não pode fazer isso com vídeo. A TV pode estar ligada, mas você não vê a imagem porque os olhos estão fechados. Mas, com as lentes de contato, teria o vídeo dentro dos olhos. Poderiam até ser implantadas nas córneas. Se tiver o vídeo diretamente nos olhos, mesmo com eles fechados, você teria capacidade de sonhar com os vídeos.

Silio Boccanera — Ao estilo do filme “A Origem”.
Ian Pearson — Eu não vi esse filme.

Silio Boccanera — Eles criam sonhos.
Ian Pearson — Você deve poder escolher com que quer sonhar, e o computador lhe dará estímulos visuais que lhe farão sonhar com uma praia do Caribe. É um bom lugar para se estar, vamos sonhar com ele. Posso estar em uma praia brasileira, vendo lindas mulheres passando. Tudo isso chegando ao meu campo de visão, e eu podendo interagir. Já é possível colar eletrodados na cabeça e determinar até certo ponto o sonho de uma pessoa, ligando os sinais cerebrais dela a outros obtidos quando ela viu algum vídeo. Com perguntas de múltipla escolha, pode saber se ela está pensando em um vídeo ou outro. Daqui a 30 anos, terá o total reconhecimento visual do que está acontecendo na sua mente. Se eu sei que está sonhando, porque capto sinais do sono R.E.M., ou Rapid Eye Movement, se eu souber o que está sonhando, poderei inserir imagens melhores. Poderei colocar outras pessoas nessas imagens, levar seus amigos para lá. Talvez seus amigos estejam sonhando e possam conectar o sonho com o seu, partilhando a mesma paisagem de sonho. Pode fazer muita coisa com esse carregamento visual. Não precisa colar eletrodos na cabeça, pode fazer isso com a fronha do travesseiro. A tecnologia de tecidos está avançando e permite todo tipo de capacidade eletrônica. Pode captar os sinais pela fronha sob sua cabeça. Não precisa nem ir deitar com um capacete elaborado, basta ir deitar na sua cama convencional com suas lentes de contato.

Silio Boccanera — O elo entre os pensamentos, os sonhos e pensamentos comuns e as máquinas está cada vez mais próximo.
Ian Pearson — Hoje, você consegue saber até certo ponto em que uma pessoa está pensando. Pode mover um cursor no seu monitor e jogar apenas pensando em direita, esquerda, atirar. Ainda é rudimentar, mas é possível. Já foi demonstrado que as pessoas podem determinar, entre uma seleção de vídeos, em qual a pessoa está pensando, apenas pelo reconhecimento do padrão de sinais cerebrais, comparando-os aos sinais de quando viu os vídeos. Mesmo sem toda a nanotecnologia que estamos esperando, todos os implantes, já é possível fazer um pouco disso. Quem sabe? Pode-se avançar muito com esse tipo de tecnologia antes de colocarmos dispositivos de nanotecnologia diretamente no cérebro, mas certamente faremos isso também.

Silio Boccanera — Lentes inteligentes, bactérias inteligentes, telefones inteligentes. Agora nos explique o que uma privada inteligente pode fazer.
Ian Pearson — Privadas inteligentes existem há muito tempo.

Silio Boccanera — Além de dar descarga automaticamente.
Ian Pearson — Japoneses sempre gostaram de dispositivos e desenvolveram privadas inteligentes. Há piadas sobre a capacidade delas, mas imagine que podem reconhecer você. Se falar com elas, podem reconhecer sua voz. Talvez usar algum sistema de reconhecimento quando se sentar. Podem até reconhecer seu rosto, se estiver próximo. Quando jogar seus dejetos nessa privada, ela poderá analisá-los e dizer se está com sinais de alguma doença, reconhecendo elementos que não deveriam estar neles. Se reconhece proteína na sua urina, ela não deveria estar lá. É um sinal evidente. Não sou bioquímico, não sei o que significa, mas estou imaginando. É possível analisar o que deveria estar lá ou não, se está muito concentrada e se você deve beber mais ou menos água. Café de mais ou de menos. A privada, quando você a usar logo de manhã, poderá lhe recomendar o que tomar no desjejum para regular sua química sanguínea.

Silio Boccanera — Faz um check-up automático.
Ian Pearson — O pesadelo seria a privada ter ligação com a geladeira e não deixar você abrir, porque está muito gordo ou comendo demais. Ela não permite que coma mais. Se forçar a abertura da geladeira, não deixara que ponha a comida no micro-ondas, porque terão comunicação. Quando se der conta, terá buscado um martelo na garagem e estará destruindo as máquinas da cozinha, frustrado porque elas não falam com você, ou não fazem o que você quer, porque a privada inteligente faz outra recomendação. Na cozinha, acontecerá um grande fenômeno daqui a 20 anos. Os políticos vão tentar nos dizer o que comer, tornando os aparelhos da cozinha inteligentes. Vamos revidar com o martelo.

Vexame: documento oficial do PSDB com críticas à Dilma é censurado pelo próprio partido.

Segundo o colunista Ilimar Franco, de O Globo, o texto original do “balanço crítico do primeiro ano do governo Dilma Rousseff”, documento oficial do PSDB redigido por Alberto Goldman, ex-vice de São Paulo, foi completamente adulterado pelo alto comando do partido. Nos 13 tópicos não há menção a nenhum dos seis ministros que perderam o emprego por envolvimento em altas bandalheiras. Tem 3.226 palavras, mas “corrupção” não figura entre elas.

“A presidente é tolerante com a corrupção”, afirmou Goldman no original. “O ex-ministro Palocci, nas palavras da presidente, saiu porque quis”, exemplificou. Tudo censurado.

Quanto à classificação do desempenho do Planalto em 2011 como “medíocre”, “amorfo” e “insípido”, algum devoto de Alkmin também deve ter censurado em respeito à Dilma.

“Constrangedora sucessão de fracassos” virou “sérios problemas em diversas áreas” e “nono ano do governo Lula”, afirmando que Dilma age como “fantoche”, também sumiram, talvez por obra de algum capacho do Aécio.

Depois dessa, definitivamente, o PSDB pode ser enquadrado como a única “oposição governista” da História. Um bando de bananas a serviço dos desmandos petralhas.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Pública ou particular, a Saúde no Brasil é uma merda.

Minha mulher – daqui por diante Conceição, ou Ceiça, até para não parecer que eu a tenho sem que ela me tenha – passou três dias em um hospital, sendo que dois, absolutamente desnecessários por absoluto excesso de burocracia e extrema falta de consciência médica.

Vítima de dores abdominais fortíssimas, Ceiça foi a um pronto-socorro do nosso plano de saúde, Unimed, onde foi exemplarmente atendida, tendo se submetido a todos os exames possíveis e imagináveis, dentro do que a clínica podia oferecer, inclusive com um excelente atendimento médico, que foi reforçado por um médico particular que se mostrou até desnecessário.

Como os exames feitos no pronto-socorro não apresentassem absolutamente nada de anormal, os médicos foram de opinião que ela deveria ser transferida para um hospital que dispusesse de equipamentos para fazer dois exames complementares, e assim foi feito, não no dia, um sábado, mas no dia seguinte, porque não havia vagas disponíveis em lugar nenhum. É claro que eu tive que mexer meus pauzinhos.

Lá por volta do meio-dia de domingo, lá foi Ceiça em uma ambulância para o tal hospital. Só que aqui, como ninguém tem direito a passar mal nos fins de semana, os exames ficaram para segunda-feira. Aí deu-se a melódia: a administração do hospital se esqueceu de comunicar ao médico que faz endoscopia digestiva que Ceiça estava nessa, e ele simplesmente passou por lá e foi embora.

Quanto ao outro exame, de nome complicado, foi marcado para uma semana depois e, pasmem, em Nova Iguaçu, sendo que ela teria que ficar no hospital até então para garantir sua realização, piada de extremo mau gosto.

Como Ceiça já não sentisse mais dores ou desconfortos e tudo que pudesse indicar uma “recaída” estava sob controle em virtude dos exames anteriores, após consultarmos o médico particular, pedimos sua alta “à revelia” e, na segunda mesmo, à noite, ela já estava em casa, linda e não tão fagueira em virtude do jejum a que foi submetida para fazer os exames que faltaram, mas na terça ela já estava perfeita.

Fomos a um outro médico particular ontem, que disse não haver riscos de uma nova crise se ela guardasse certas restrições alimentares, marcamos os exames faltantes e tudo foi bem equacionado.

Agora eu pergunto: se hospitais de convênios, pelos quais paga-se os tubos, são verdadeiras espeluncas em termos de administração, o que nos resta fazer a não ser rezar por uma boa morte?

Qualquer semelhança...

Imaginem o que sai nesses encontros...

Enfim, um Verissimo sensato

Costumo dizer aqui que Verissimo é um gênio em comédias ligeiras e uma besta em política. Continua valendo, mas hoje, até que enfim, foi publicado no Globo um texto seu sobre política que presta ou, pelo menos que faz sentido.

Religiões - Luis Fernando Verissimo
Se for eleito, Mitt Romney será o primeiro presidente mórmon dos Estados Unidos, ou, que eu saiba, de qualquer outro país. A igreja mórmon foi criada no século dezenove pelo americano Joseph Smith, que a baseou em contatos pessoais que teve com Deus e com Jesus Cristo e em mandamentos que recebeu das mãos de um anjo chamado Morôni, na forma de tabletes de ouro.

Quando John Kennedy candidatou-se a presidente dos Estados Unidos diziam que ele jamais se elegeria, pois um católico teria que ser mais leal ao papa do que à constituição do país. Kennedy se elegeu e, no seu curto governo, nunca consultou o papa sobre nenhum assunto de estado. Hoje ninguém parece ter um temor igual com relação à religião de Romney. A religião tem mesmo estado ausente nos debates entre os republicanos que querem ser candidatos à presidência. Talvez porque Romney não seja um mórmon praticante. Sua religião permite a poligamia, por exemplo, e ele só tem uma mulher. Se bem que, depois de elegerem Barack Obama, os americanos provavelmente não hesitariam em experimentar esta outra novidade: três ou quatro primeiras-damas em vez de uma!

A religião de cada um é questão de cada um e não deve mesmo fazer parte do embate político, e o mundo e a vida são coisas tão misteriosas que nenhuma teoria sobre de onde viemos, para onde vamos e quem pagará a corrida é mais improvável ou menos absurda do que outra. Toda a civilização cristã se baseia em mitos e milagres apenas mais antigos dos que os relatados por Joseph Smith. Mas não há como não se assustar com o poder crescente em nossas vidas do fundamentalismo, que é a religião no seu estado impermeável. O poder real no Irã não é o do presidente Ahmadinecoisa e dos políticos, é dos aiatolás e suas mentes medievais. Uma minoria ortodoxa insiste em fazer de Israel uma teocracia sem concessões, e o radicalismo do lado palestino não é menor. O fanatismo religioso islâmico inquieta e a reação ao terror também. E o mais assustador é tudo que as pessoas estão dispostas a acreditar – ou tudo que uma mente religiosa está predisposta a aceitar, de pastores pilantras a martírios suicidas. O sono da razão gera monstros, diz aquela frase numa gravura do Goya. O sono da razão parece ficar cada vez mais profundo, na noite atual.

Como Romney ainda não foi chamado a falar da sua religião, não se sabe como seria uma hipotética intervenção do anjo Morôni nas suas decisões, na presidência. Por via das dúvidas, é melhor torcer pelo Baraca.

Delfim Netto, quem diria, acabou no Irajá.

Denúncia profunda acaba de ser publicada em artigo, na Folha de S. Paulo, contra “a avalanche do pensamento único, cujo codinome é neoliberalismo, apoiado por Estados corrompidos pelo sistema financeiro internacional”. Idéia-base calcada em Marx? Lênin? Luis Carlos Prestes ou Leonel Brizola?, pergunta o articulista Carlos Chagas.

Não. O autor é Delfim Netto. Depois de chefiar a política econômica, a própria economia nacional e fazer o que bem entendia com as duas por duas décadas, sempre flertando com o capitalismo desvairado, depois dos 80 resolve cuspir no prato em que comeu.

Concentrador de renda, um dos principais responsáveis pelo endividamento externo do País e autor da tese de que seria preciso esperar o bolo crescer para, depois, reparti-lo, sendo que nunca repartiu nada, o negócio do Gordo era congelar salários e a aumentar as tarifas públicas como meio de conter a inflação. E o povo que se danasse.

Agora resolve dar uma de Madalena arrependida... Menos, Delfim, menos. Quem não te conhece que te compre.

Aliás, será que o protagonista do “milagre econômico brasileiro”, depois de movido por essa súbita ideia de uma economia mais “humanista”, vai se sensibilizar a ponto de devolver todos os 10% que diziam que cobrava nas transações do governo militar?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Faz 15 anos que querem acabar com as cracolândias de Sampa e nada.

No dia 18 de fevereiro de 1997, há 15 anos, a Folha de São Paulo publicava o seguinte texto:

“Falta de estrutura ameaça Operação Centro

PM usa critérios subjetivos no 1º dia de superpoliciamento
A Operação Centro, iniciada nesta terça-feira (18) com o objetivo de aumentar a segurança na região central de São Paulo, ameaça fracassar devido à falta de estrutura de todos os órgãos envolvidos.
Devido à falta de entrosamento entre a Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público e Prefeitura de São Paulo, a maioria das pessoas detidas pela manhã estava de volta às ruas horas mais tarde.(...)
(...)A região da estação da Luz, conhecida como “CRACOLÂNDIA” devido ao grande número de viciados em crack, foi policiada pela cavalaria da PM. A abordagem aos suspeitos não utilizou violência. A maioria dos indivíduos aceitava passivamente a averiguação e eventual encaminhamento à delegacia. “A maioria das pessoas revistadas está dominada pelas drogas e normalmente nem consegue reagir”, afirmou Silva Vieira.”

E por aí afora, como se pode ver na reportagem de página inteira do jornal (texto completo aqui).

Não é muito tempo? Aqui no Rio o crack chegou depois, mas o problema também é gravíssimo. Quando é que vão chegar a uma conclusão sobre uma solução realmente definitiva? Ou será que vão continuar discutindo o sexo dos anjos e empurrando com a barriga enquanto o couro come solto?

Fliperama desgovernado

“A minha fada tem uma varinha de ‘cordão’”.
Narcisa Tamborindegui, o fliperama desgovernado: ri, pisca e grita! TILT! A Narcisa é a Mulher Tilt! (Zé Simão)

Dicas de Português: Banquete no céu

Dad Squarisi‏
A casa do Senhor amanheceu agitada. Nova moradora chegaria dali a pouco. Ela nem precisou bater à porta. São Pedro, bonachão, repetiu a ordem dada a Irene, de Manuel Bandeira: "Entra, Conceição, você não precisa pedir licença". Sorriso largo, olhos curiosos, ela obedeceu.

Na comissão de frente, organizada por Joãosinho Trinta, recepcionavam-na os bem-amados de toda a vida. Entre eles, o Aurélio do dicionário, Said Ali, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Patativa do Assaré, Elis Regina, Tim Maria. Mais no fundo, Jorge Luis Borges lia com serenidade majestosa. Ao vê-la, deixou o livro de lado e disse-lhe cúmplice:

— Viu? O céu é uma biblioteca sem fim. Deus precisava de você para organizá-la.

Depois de rápida mirada, ela percebeu a falta:

— Cadê o Houaiss?

O dono da casa, que tudo ouve e tudo vê, sorriu maroto. Pegou a moradora pela mão e levou-a à cozinha. Lá estava o chef do céu. Antonio Sales o ajudava. Preparavam um prato especial para o almoço — mjadra, o arroz com lentilha árabe. Ela entendeu. A amiga que se dizia a melhor cozinheira fenícia da cidade prometeu um almocinho com a iguaria. Passaram-se quatro anos. Nada. Ninguém entendia a procrastinação. Agora ficou claro. Conceição merecia a mjadra do céu.


Por falar em cozinha…
Coser ou cozer? Os dois verbos existem. Embora soem do mesmo jeitinho, um se escreve com s; o outro, com z. A letra faz a diferença. Cozer pertence à família de cozinha, cozinhar, cozinheiro. Coser faz parte do clã que lida com agulhas e linhas. É sinônimo de costurar. Assim, cose-se a blusa. Cozinha-se a lentinha e o arroz.

O dono
Atenção, gente boa de garfo. O lugar que nos serve comida gostosa chama-se restaurante. O dono de restaurante é restaurateur. Assim, sem n. A dona? É restauratrice.

De comidas e bichos
Bichos, pianos, vestidos têm cauda. Doces, calda. A mulher que tocava o piano de cauda comia nos intervalos doce de calda.

Duas vezes
Sabia? Biscoito nasceu latino. Na língua dos Césares, biscoctus queria dizer cozido duas vezes. Por quê? Por causa de costume dos antigos. Eles coziam a delícia e tornavam a cozê-la. Assim, o bolinho doce feito à base de farinha de trigo perdia a água e durava muiiiiiiiiiiiiiiiiiito tempo.

Na forma
Internet, cinema, música, televisão — tudo contribui para o brasileiro ganhar intimidade com o inglês. Nada mal. O inglês é a língua internacional falada pela maior potência do planeta. Em qualquer lugar do mundo, alguém fala o idioma de Shakespeare. O problema é a contaminação. Sem domínio do português, tradutores caem no portinglês. Ficam com um pé lá e outro cá. Usam palavras que existem na nossa língua, mas com sentido diferente da acepção inglesa. Vale o exemplo da tal dieta balanceada. De onde vem o adjetivo? De balanced diet. Balanceada é tradução ingênua, dizem as professoras Maria Helena Ortiz e Maria Otília Bocchini. Melhor ser sabido. Dieta equilibrada é a forma.

Leitor pergunta


Qual o correto: "a seu alcance" ou "ao seu alcance"?
• Paolo Melo, Ceilândia

Expressões usadas com pronome possessivo rejeitam o artigo. "Xô!", dizem elas. É o caso de a meu ver, a meu lado, a nosso bel-prazer, a seu alcance.

•••

Tenho hábito de escrever. Mas há palavras que me tiram o sono. Uma delas é abaixo. Nunca sei se o a fica colado ou solto. Pode me ajudar?
• Aldeir Pereira, BH

Relaxe. Escreva abaixo como acima. Tudo coladinho: Fogo morro acima e água morro abaixo ninguém segura. Acima de mim? Só Deus. Abaixo? Ninguém.
A baixo? Só em construções como esta: Olhou-a de cima a baixo. A cortina rasgou-se de alto a baixo.